Por: Glauber Guerra
Quem vê Simão Alves pelos corredores da Assembleia Legislativa da Bahia, não imagina os momentos de grande tribulação que eke passou na sua infância. Perdeu o pai com 3 anos de idade e a mãe com 7 anos. Sem nenhum parente para acolhe-lo, Simão começou a perambular pelo centro de Salvador e fazer das ruas sua moradia. Simão começou a trabalhar como engraxate, e as poucos foi conseguindo boa clientela nos arredores da Rua Chile e na Av. Sete de Setembro.
Para vencer o cansaço e a fome, Simão foi induzido por colegas e passou a fazer uso diário de "cola de sapateiro". Essa droga acaba inibindo a fome e o cansaço além de produzir euforia e alucinações no usuário. Com o passar do tempo e cada vez mais viciado, Simão começou a ficar desnutrido e não tinha mais disposição para nada. "Vi que a coisa começou a ficar feia quando deu uma tempestade e uma ventania na Rua Chile e quase parei em cima da placa de exibição do Cine Guarani, que exibia o filme Nem Sansão, nem Dalila de Carlos Manga", exagera. A partir desse momento, Simão resolve abondonar o vício, e procura ajuda de um médico, que ele costumava engraxar os sapatos. Sensibilizado com a história, o médico oferece auxílio dando moradia e o colocando de volta à escola.
Completamente livre da depêndencia das drogas e um aluno exemplar com boas notas, Simão não esperava que o destino fosse novamente traiçoeiro e aos 14 anos de idade, o médico que o ajudou morre precocemente em um desastre de navio, na baia de todos os Santos e mais uma vez Simão fica desamparado. Mas ele não se abateu e foi à luta e conseguiu um emprego como Mensageiro em uma famosa loja masculina da Rua Chile, até que chegou ao posto de vendedor. Conciliando os estudos, com o trabalho conseguiu concluir o segundo grau e também o tão sonhado curso de datilografia. E com sua visível habilidade com a máquina de datilografar, ele passou a ser secretário do proprietário da loja e depois de alguns anos passou a trabalhar no setor de taquigrafia da Câmara de Vereadores e na Assembleia Legislativa, onde mesmo aposentado, continua a trabalhar com a mesma disposição dos tempos de jovem. "Poderia ter voltado para o mundo das drogas, mas eu sabia que tinha que ser forte e construir um futuro e uma família e não viver à margem da sociedade", disse emocionado.
Hoje Simão presta serviços voluntários na Associação de moradores de Cajazeiras, ensinando jovens a confecionarem artesanato, como miniaturas de berimbau em madeira. "Que os mais jovens, não se deixam abater pelas dificuldades da vida e com fé e determinação se consegue tudo e com o trabalho voluntário que desenvolvo, tenho certeza que estou dando minha contribuição para que esses jovens não trilhem o caminho obscuro das drogas", concluiu.
FOTO: Glauber Guerra
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