terça-feira, 18 de maio de 2010

Do céu ao inferno

* **************************************************Atualmente Marcelo vive no fundo do poço


Um jovem aparentemente bem sucedido, estudante de direito,proprietário de um uma empresa de porte médio de som automotivo, com carro do ano, namorada e casa própria. Pré requisitos de uma pessoa com um futuro brilhante e bem sucedido a sua frente. Mas não foi isso que aconteceu com o jovem de 23 anos Marcelo Mattos*. Ele sempre gostou da noite e de frequentar baladas e barzinhos de Juazeiro BA e Petrolina PE (cidade vizinha).Altamente sociável era figurinha carimbada nos principais eventos daquela região e sempre acompanhado do seu Whisky 12 anos misturado com enérgetico. Até ai, tudo bem, Marcelo sempre cumpria suas obrigações como pequeno empresário e como estudante, até que certo dia em uma dessas "baladas", por incentivo de um amigo, que o convidou para ter uma noite de luxúria com um grupo de mulheres que faziam o uso de cocaína, foi incentivado à experimentar, para se "enturmar" e não parecer "careta" e a conquista ficar mais fácil. Foi paixão à primeira vista, não com as garotas e sim com o famoso pó branco, conhecido como cocaína.

No princípio eram pequenas doses nos finais de semana, e aos poucos aumentando para sentir a sensação de eufória que a droga proporciona. Em pouco já não andava mais na empresa com frequência, na faculdade poucas vezes era visto, a namorada que já não aguentava mais as sessões de agressividade e até de espancamento do jovem, o abandonou. Marcelo que tinha um destino brilhante a sua frente, estava entrando em largos passos para o sub-mundo das drogas. Em pouco tempo ele se tornou o verdadeiro "rei da noite", chegando a passar de 3 à 4 dias consecutivos fazendo o uso da droga e praticamente sem dormir, já que a mesma inibe o sono. "Quando comecei a entrar nessa fase de sair para beber e "cheirar", comecei a ficar agressivo, chegando a bater em minha namorada, fazia arruaça no meio da rua, sempre estava envolvido em confusão", comentou .

Alguns meses depois de estar completamente dominado pela droga, Marcelo viu sua empresa ir a bancarrota, já que pouco ia a empresa e só aparecia para fazer retiradas volumosas de dinheiro, fechando em pouco tempo, o que ele tinha conseguido com muita luta e determinação.

Marcelo para sustentar o vício das noites regadas a Whisky e Cocaína, começou a usar suas economias que ele tinha guardado na poupança e em contas de investimentos. Chegou até cometer a extravagância de passar 7 dias em Bogotá, para experimentar a droga fabricada de maneira "pura", sem misturas como as nacionais. "Cometi essa loucura de ir para a Colômbia e lá gastei uma boa grana para experimentar a cocaína pura e cair na promiscuidade e devassidão nas noites intermináveis de Bogotá". Lamentou-se.
Depois da empresa fechada e os recursos ficando escassos, começou a se desfazer de alguns bens pessoais, para continuar alimentando o vício da droga. Foi ai que ele começou a entrar no fundo do poço, vendendo primeiramente sua moto 250 cilindradas, logo depois foi a vez do seu carro adquirido poucos meses antes, e em seguida móveis e eletrodomésticos, restando apenas seu colchão, guarda roupas e um pote para armazenar água. "Vendi tudo para sustentar meu vício, nunca comprei droga fiado, para não ficar devendo a traficante e não ser morto. Nem água gelada tenho para beber", disse.

Sem dinheiro para andar nas badaladas festas , o "rei da noite" perde a majestade e se torna um mero plebeu, mergulhando de vez no sub-mundo da marginalidade, praticando pequenos furtos e delitos para comprar a cocaína e para piorar, começa a fazer o uso de outros tipos de droga como o crack. "Já que eu não tinha mais dinheiro, comecei a praticar pequenos furtos, como som de carro, notebooks, celulares e utilizar drogas mais baratas e de fácil acesso como o crack".
Marcelo perdeu todos os amigos, que se afastaram logo depois que ele não tinha mais dinheiro para suas intermináveis farras.

FAMÍLIA , PERCA DA MÃE E REECONTRO COM O PAI

Marcelo perdeu precocemente a mãe com 13 anos, depois disso foi morar com o pai em Recife -PE. Como não teve teve um bom relacionamento com sua madrasta, com 15 anos retornou à Juazeiro para morar com sua vó materna, que veio a falecer vitíma de uma pneumonia, quando Marcelo completou 16 anos. Resolveu morar sozinho em Juazeiro e comecou a trabalhar, como vendedor em uma loja de som automotivo, e em pouco tempo se destacou na empresa, conseguindo se tornar sub-gerente e até que conseguiu juntar um dinheiro para montar seu próprio negócio. Marcelo perdeu o contato com seu pai, só se falavam em raras ocasiões.
Depois de anos praticamente sem contato, o pai de Marcelo tomou conhecimento do estado lastimável em que se encontrava o filho e o levou para Recife. "Logo que o pai de Marcelo tomou conhecimento, levou o filho para procurar tratamento médico para que Marcelo começasse a largar o vício das drogas". Confidenciou um amigo da família.

TRATAMENTO CONTRA A DEPÊNDENCIA , CRISES DE ABISTINÊNCIA E DETENÇÃO

No começo, Marcelo aceitou fazer o tratamento e fez um certo esforço, mas em vão. Em toda crise de abstinência, ele fugia da clínica e se aventurava nas noites Recifenses em busca do crack e cocaína. Em uma dessas abstinências, quis dar uma de nero e tentou colocar fogo na rua onde reside o seu pai, danificando o automóvel de seu pai e outros que se encontravam próximos. Achando isso tudo pouco, ainda tentou agredir uma de suas irmãs mais novas, mas felizmente sem sucesso. Logo depois ele foi detido e passou 1 mês preso. Depois desse incidente, o seu pai revoltado deu uma de pilatos e lavou as mãos, não querendo mais saber do filho , que depois da breve estadia na cadeia, retornou para Juazeiro.

FUNDO DO POÇO E SONHO DE SER PASTOR

Atualmente Marcelo sobrevive com ajuda de um tio paterno, que alugou um quarto próximo a sua residência para abriga-lo, pois teme que em sua residência ele cometa algo parecido do que aconteceu em Recife. Marcelo ainda não conseguiu abandonar o vício e sempre é visto de bar em bar, de mesa em mesa se embriagando e consumindo drogas. As vezes ele consegue passar algumas semanas sóbrio, sem utilizar drogas. "Tento parar, mas é muito difícil, quando fico algumas semanas sem consumir drogas, de repente a vontade vem forma feroz, e ai não consigo doma-la, mas um amigo me indicou uma igreja evangélica, fui a um culto e senti uma paz interior, que nunca tive. Irei criar coragem para frequentar mais vezes e tirar esse espírito ruim que dominou meu corpo, e quem sabe um dia eu não vire um pastor?". Revelou Marcelo, demonstrando motivação.



*Marcelo Mattos, é um pseudonimo já que ele não autorizou a divulgação do seu nome.
Texto e foto: Glauber Guerra

Nenhum comentário:

Postar um comentário