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**************************************************Atualmente Marcelo vive no fundo do poço
Um jovem aparentemente bem sucedido, estudante de direito,
proprietário de um uma empresa de porte médio de som
automotivo, com carro do ano, namorada e casa própria. Pré requisitos de uma pessoa com um futuro brilhante e bem sucedido a sua frente. Mas não foi isso que aconteceu com o jovem de 23 anos Marcelo
Mattos*. Ele sempre gostou da noite e de frequentar baladas e
barzinhos de
Juazeiro BA e
Petrolina PE (cidade vizinha).Altamente sociável era figurinha carimbada nos principais eventos daquela região e sempre acompanhado do seu Whisky 12 anos misturado com
enérgetico. Até ai, tudo bem, Marcelo sempre cumpria suas obrigações como pequeno empresário e como estudante, até que certo dia em uma dessas "baladas", por incentivo de um amigo, que o convidou para ter uma noite de luxúria com um grupo de mulheres que faziam o uso de cocaína, foi incentivado à
experimentar, para se "
enturmar" e não parecer "careta" e a conquista ficar mais fácil. Foi paixão à primeira vista, não com as garotas e sim com o famoso pó branco, conhecido como cocaína.
No princípio eram pequenas doses nos finais de semana, e aos poucos aumentando para sentir a sensação de eufória que a droga proporciona. Em pouco já não andava mais na empresa com frequência, na faculdade poucas vezes era visto, a namorada que já não aguentava mais as sessões de agressividade e até de espancamento do jovem, o abandonou. Marcelo que tinha um destino brilhante a sua frente, estava entrando em largos passos para o
sub-mundo das drogas. Em pouco tempo ele se tornou o verdadeiro "rei da noite", chegando a passar de 3 à 4 dias consecutivos fazendo o uso da droga e praticamente sem dormir, já que a mesma inibe o sono. "Quando comecei a entrar nessa fase de sair para beber e "cheirar", comecei a ficar agressivo, chegando a bater em minha namorada, fazia arruaça no meio da rua, sempre estava envolvido em confusão", comentou .
Alguns meses depois de estar completamente dominado pela droga, Marcelo viu sua empresa ir a bancarrota, já que pouco ia a empresa e só aparecia para fazer retiradas volumosas de dinheiro, fechando em pouco tempo, o que ele tinha conseguido com muita luta e determinação.
Marcelo para sustentar o vício das noites regadas a Whisky e Cocaína, começou a usar suas economias que ele tinha guardado na poupança e em contas de investimentos. Chegou até cometer a extravagância de passar 7 dias em Bogotá, para
experimentar a droga fabricada de maneira "pura", sem misturas como as nacionais. "Cometi essa loucura de ir para a Colômbia e lá gastei uma boa grana para
experimentar a cocaína pura e cair na promiscuidade e devassidão nas noites intermináveis de Bogotá". Lamentou-se.
Depois da empresa fechada e os recursos ficando escassos, começou a se desfazer de alguns bens pessoais, para continuar alimentando o vício da droga. Foi ai que ele começou a entrar no fundo do poço, vendendo primeiramente sua moto 250 cilindradas, logo depois foi a vez do seu carro adquirido poucos meses antes, e em seguida móveis e
eletrodomésticos, restando apenas seu colchão, guarda roupas e um pote para armazenar água. "Vendi tudo para sustentar meu vício, nunca comprei droga fiado, para não ficar devendo a traficante e não ser morto. Nem água gelada tenho para beber", disse.
Sem dinheiro para andar nas badaladas festas , o "rei da noite" perde a majestade e se torna um mero plebeu, mergulhando de vez no
sub-mundo da marginalidade, praticando pequenos furtos e delitos para comprar a cocaína e para piorar, começa a fazer o uso de outros tipos de droga como o
crack. "Já que eu não tinha mais dinheiro, comecei a praticar pequenos furtos, como som de carro,
notebooks, celulares e utilizar drogas mais baratas e de fácil acesso como o crack".
Marcelo perdeu todos os amigos, que se afastaram logo depois que ele não tinha mais dinheiro para suas intermináveis farras.
FAMÍLIA , PERCA DA MÃE E REECONTRO COM O PAIMarcelo perdeu precocemente a mãe com 13 anos, depois disso foi morar com o pai em Recife -PE. Como não teve teve um bom relacionamento com sua madrasta, com 15 anos retornou à Juazeiro para morar com sua vó materna, que veio a falecer vitíma de uma pneumonia, quando Marcelo completou 16 anos. Resolveu morar sozinho em Juazeiro e comecou a trabalhar, como vendedor em uma loja de som automotivo, e em pouco tempo se destacou na empresa, conseguindo se tornar sub-gerente e até que conseguiu juntar um dinheiro para montar seu próprio negócio. Marcelo perdeu o contato com seu pai, só se falavam em raras ocasiões.
Depois de anos praticamente sem contato, o pai de Marcelo tomou conhecimento do estado lastimável em que se encontrava o filho e o levou para Recife. "Logo que o pai de Marcelo tomou conhecimento, levou o filho para procurar tratamento médico para que Marcelo começasse a largar o vício das drogas".
Confidenciou um amigo da família.
TRATAMENTO CONTRA A DEPÊNDENCIA , CRISES DE ABISTINÊNCIA E DETENÇÃONo começo, Marcelo aceitou fazer o tratamento e fez um certo esforço, mas em vão. Em toda crise de abstinência, ele fugia da clínica e se aventurava nas noites Recifenses em busca do
crack e cocaína. Em uma dessas abstinências, quis dar uma de
nero e tentou colocar fogo na rua onde reside o seu pai, danificando o automóvel de seu pai e outros que se encontravam próximos. Achando isso tudo pouco, ainda tentou agredir uma de suas irmãs mais novas, mas felizmente sem sucesso. Logo depois ele foi detido e passou 1 mês preso. Depois desse incidente, o seu pai revoltado deu uma de pilatos e lavou as mãos, não querendo mais saber do filho , que depois da breve estadia na cadeia, retornou para
Juazeiro.
FUNDO DO POÇO E SONHO DE SER PASTORAtualmente Marcelo sobrevive com ajuda de um tio paterno, que alugou um quarto próximo a sua residência para abriga-lo, pois teme que em sua residência ele cometa algo parecido do que aconteceu em Recife. Marcelo ainda não conseguiu
abandonar o vício e sempre é visto de bar em bar, de mesa em mesa se embriagando e consumindo drogas. As vezes ele consegue passar algumas semanas sóbrio, sem utilizar drogas. "Tento parar, mas é muito difícil, quando fico algumas semanas sem consumir drogas, de repente a vontade vem forma feroz, e ai não consigo doma-la, mas um amigo me indicou uma igreja evangélica, fui a um culto e senti uma paz interior, que nunca tive. Irei criar coragem para frequentar mais vezes e tirar esse espírito ruim que dominou meu corpo, e quem sabe um dia eu não vire um pastor?". Revelou Marcelo, demonstrando motivação.
*Marcelo
Mattos, é um
pseudonimo já que ele não autorizou a divulgação do seu nome.
Texto e foto: Glauber Guerra