domingo, 11 de novembro de 2012
João Neto deixa o Flu de Feira e diz que já tem propostas para 2013
Por Glauber Guerra
O atacante João Neto não faz mais parte do Fluminense de Feira. O jogador rescindiu o contrato com o Touro do Sertão. O atleta de 27 anos explicou que já tinha um compromisso de verbal com a diretoria do clube para deixar o time, caso necessitasse.
"Eu já tinha um acordo, em que poderia continuar ou não para o Campeonato Baiano. Então, tudo aconteceu amigavelmente, sem nenhum problema ", disse o jogador.
De acordo com João Neto, antes dele acertar com o Flu, ele tinha propostas de clubes da Série B, mas que decidiu ficar em Feira de Santana por conta de um problema familiar.
"A minha ida para o Fluminense foi por causa de um problema de família. Eles precisavam de auxílio e eu tinha que estar por perto. Eu tinha propostas de outros times, mas fiquei no Flu por causa desses problemas", explicou.
O atacante ainda garantiu que alguns clubes já estão interessados em contar com seu futebol para a próxima temporada.
"Já apareceram várias propostas. Mas que está vendo isso é Marcelo Assis, meu empresário. Ele está resolvendo e analisando as propostas. Não quero revelar os interessados, para não atrapalhar as negociações", encerrou.
João Neto acumula passagens pelo Bahia de Feira, Sport, Ipatinga-MG, Bahia, Portuguesa, entre outros.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Parceria na luta contra as drogas no interior baiano
POR: GLAUBER GUERRA
No norte da Bahia, em Juazeiro (500 km de Salvador) um projeto se destaca no combate ao uso de drogas e ressocialização e cura de dependentes químicos. O projeto foi batizado de "Drogas é uma droga" e tem apoio da Prefeitura Municipal e de empresas privadas da região. Atualmente o projeto conta com uma casa de apoio para tratamento e internamento de dependentes químicos, com supervisão e suporte de psicológos, médicos, assistentes sociais e outros profissionais que ajudam de forma voluntária. Uma das coordenadoras e idealizadoras do projeto é a assistente social Diana Telma. "Em 2005, junto com um grupo de amigos tive essa iniciativa e nesses 5 anos tivemos resultados extraordinários em curar a depedência maléfica das drogas", disse.
Diana explica que a maioria das pessoas chega em um estado deplorável, literalmente no fundo do poço e no sub mundo do crime e da marginalidade. "Drogas e o crime andam lado a lado, quando o sujeito não possui mais dinheiro para sustentar seu vício, ele começa a roubar e até matar para conseguir comprar drogas", afirmou.
Cerca de 90% dos dependentes que procuram auxílio no projeto "Droga é uma droga"são viciados em crack. Essa droga vícia de forma rápida e voraz. Por ser relativamente barata e de fácil acesso, dependentes de outras drogas acabam se rendendo ao Crack e a família é a grande sofredora. Como no caso de dona Francisca, uma das mães que tem seu filho internado na casa de apoio. "Trouxe meu filho para a casa de apoio, depois de passar mais de 1 ano sofrendo, pois ele roubava tudo dentro de casa e até me batia querendo dinheiro para comprar esse maldito crack", disse. Em uma de suas alucinações o filho de dona Francisca tentou atear fogo dentro da casa. "Ele disse que era embaixador do capeta na terra e o seu próposito era de roubar, matar e destruir. Encharcou a casa de alcool e tentou atear fogo, mas meu vizinho evangélico conseguiu evitar o pior", relatou. Visivelmente abalada dona Francisca disse que depois que o filho se internou, teve uma extraordinária melhora e ele já participa ativamente do programa esportivo da casa de apoio e espera que em breve ele esteja pronto a retornar ao ambiente familiar totalmente curado.
De acordo com Diana Telma, 86% conseguem se curar da dependência da droga. "O mais difícil é o combate com o crack, que é um tratamento árduo e longo, mas com muita luta e perseverança estamos conseguindo excelentes índices",concluiu .
Foto e texto: Glauber Guerra
Simão Alves um vencedor
Por: Glauber Guerra
Quem vê Simão Alves pelos corredores da Assembleia Legislativa da Bahia, não imagina os momentos de grande tribulação que eke passou na sua infância. Perdeu o pai com 3 anos de idade e a mãe com 7 anos. Sem nenhum parente para acolhe-lo, Simão começou a perambular pelo centro de Salvador e fazer das ruas sua moradia. Simão começou a trabalhar como engraxate, e as poucos foi conseguindo boa clientela nos arredores da Rua Chile e na Av. Sete de Setembro.
Para vencer o cansaço e a fome, Simão foi induzido por colegas e passou a fazer uso diário de "cola de sapateiro". Essa droga acaba inibindo a fome e o cansaço além de produzir euforia e alucinações no usuário. Com o passar do tempo e cada vez mais viciado, Simão começou a ficar desnutrido e não tinha mais disposição para nada. "Vi que a coisa começou a ficar feia quando deu uma tempestade e uma ventania na Rua Chile e quase parei em cima da placa de exibição do Cine Guarani, que exibia o filme Nem Sansão, nem Dalila de Carlos Manga", exagera. A partir desse momento, Simão resolve abondonar o vício, e procura ajuda de um médico, que ele costumava engraxar os sapatos. Sensibilizado com a história, o médico oferece auxílio dando moradia e o colocando de volta à escola.
Completamente livre da depêndencia das drogas e um aluno exemplar com boas notas, Simão não esperava que o destino fosse novamente traiçoeiro e aos 14 anos de idade, o médico que o ajudou morre precocemente em um desastre de navio, na baia de todos os Santos e mais uma vez Simão fica desamparado. Mas ele não se abateu e foi à luta e conseguiu um emprego como Mensageiro em uma famosa loja masculina da Rua Chile, até que chegou ao posto de vendedor. Conciliando os estudos, com o trabalho conseguiu concluir o segundo grau e também o tão sonhado curso de datilografia. E com sua visível habilidade com a máquina de datilografar, ele passou a ser secretário do proprietário da loja e depois de alguns anos passou a trabalhar no setor de taquigrafia da Câmara de Vereadores e na Assembleia Legislativa, onde mesmo aposentado, continua a trabalhar com a mesma disposição dos tempos de jovem. "Poderia ter voltado para o mundo das drogas, mas eu sabia que tinha que ser forte e construir um futuro e uma família e não viver à margem da sociedade", disse emocionado.
Hoje Simão presta serviços voluntários na Associação de moradores de Cajazeiras, ensinando jovens a confecionarem artesanato, como miniaturas de berimbau em madeira. "Que os mais jovens, não se deixam abater pelas dificuldades da vida e com fé e determinação se consegue tudo e com o trabalho voluntário que desenvolvo, tenho certeza que estou dando minha contribuição para que esses jovens não trilhem o caminho obscuro das drogas", concluiu.
FOTO: Glauber Guerra
terça-feira, 18 de maio de 2010
Do céu ao inferno
Um jovem aparentemente bem sucedido, estudante de direito,proprietário de um uma empresa de porte médio de som automotivo, com carro do ano, namorada e casa própria. Pré requisitos de uma pessoa com um futuro brilhante e bem sucedido a sua frente. Mas não foi isso que aconteceu com o jovem de 23 anos Marcelo Mattos*. Ele sempre gostou da noite e de frequentar baladas e barzinhos de Juazeiro BA e Petrolina PE (cidade vizinha).Altamente sociável era figurinha carimbada nos principais eventos daquela região e sempre acompanhado do seu Whisky 12 anos misturado com enérgetico. Até ai, tudo bem, Marcelo sempre cumpria suas obrigações como pequeno empresário e como estudante, até que certo dia em uma dessas "baladas", por incentivo de um amigo, que o convidou para ter uma noite de luxúria com um grupo de mulheres que faziam o uso de cocaína, foi incentivado à experimentar, para se "enturmar" e não parecer "careta" e a conquista ficar mais fácil. Foi paixão à primeira vista, não com as garotas e sim com o famoso pó branco, conhecido como cocaína.
No princípio eram pequenas doses nos finais de semana, e aos poucos aumentando para sentir a sensação de eufória que a droga proporciona. Em pouco já não andava mais na empresa com frequência, na faculdade poucas vezes era visto, a namorada que já não aguentava mais as sessões de agressividade e até de espancamento do jovem, o abandonou. Marcelo que tinha um destino brilhante a sua frente, estava entrando em largos passos para o sub-mundo das drogas. Em pouco tempo ele se tornou o verdadeiro "rei da noite", chegando a passar de 3 à 4 dias consecutivos fazendo o uso da droga e praticamente sem dormir, já que a mesma inibe o sono. "Quando comecei a entrar nessa fase de sair para beber e "cheirar", comecei a ficar agressivo, chegando a bater em minha namorada, fazia arruaça no meio da rua, sempre estava envolvido em confusão", comentou .
Alguns meses depois de estar completamente dominado pela droga, Marcelo viu sua empresa ir a bancarrota, já que pouco ia a empresa e só aparecia para fazer retiradas volumosas de dinheiro, fechando em pouco tempo, o que ele tinha conseguido com muita luta e determinação.
Marcelo para sustentar o vício das noites regadas a Whisky e Cocaína, começou a usar suas economias que ele tinha guardado na poupança e em contas de investimentos. Chegou até cometer a extravagância de passar 7 dias em Bogotá, para experimentar a droga fabricada de maneira "pura", sem misturas como as nacionais. "Cometi essa loucura de ir para a Colômbia e lá gastei uma boa grana para experimentar a cocaína pura e cair na promiscuidade e devassidão nas noites intermináveis de Bogotá". Lamentou-se.
Depois da empresa fechada e os recursos ficando escassos, começou a se desfazer de alguns bens pessoais, para continuar alimentando o vício da droga. Foi ai que ele começou a entrar no fundo do poço, vendendo primeiramente sua moto 250 cilindradas, logo depois foi a vez do seu carro adquirido poucos meses antes, e em seguida móveis e eletrodomésticos, restando apenas seu colchão, guarda roupas e um pote para armazenar água. "Vendi tudo para sustentar meu vício, nunca comprei droga fiado, para não ficar devendo a traficante e não ser morto. Nem água gelada tenho para beber", disse.
Sem dinheiro para andar nas badaladas festas , o "rei da noite" perde a majestade e se torna um mero plebeu, mergulhando de vez no sub-mundo da marginalidade, praticando pequenos furtos e delitos para comprar a cocaína e para piorar, começa a fazer o uso de outros tipos de droga como o crack. "Já que eu não tinha mais dinheiro, comecei a praticar pequenos furtos, como som de carro, notebooks, celulares e utilizar drogas mais baratas e de fácil acesso como o crack".
Marcelo perdeu todos os amigos, que se afastaram logo depois que ele não tinha mais dinheiro para suas intermináveis farras.
FAMÍLIA , PERCA DA MÃE E REECONTRO COM O PAI
Marcelo perdeu precocemente a mãe com 13 anos, depois disso foi morar com o pai em Recife -PE. Como não teve teve um bom relacionamento com sua madrasta, com 15 anos retornou à Juazeiro para morar com sua vó materna, que veio a falecer vitíma de uma pneumonia, quando Marcelo completou 16 anos. Resolveu morar sozinho em Juazeiro e comecou a trabalhar, como vendedor em uma loja de som automotivo, e em pouco tempo se destacou na empresa, conseguindo se tornar sub-gerente e até que conseguiu juntar um dinheiro para montar seu próprio negócio. Marcelo perdeu o contato com seu pai, só se falavam em raras ocasiões.
Depois de anos praticamente sem contato, o pai de Marcelo tomou conhecimento do estado lastimável em que se encontrava o filho e o levou para Recife. "Logo que o pai de Marcelo tomou conhecimento, levou o filho para procurar tratamento médico para que Marcelo começasse a largar o vício das drogas". Confidenciou um amigo da família.
TRATAMENTO CONTRA A DEPÊNDENCIA , CRISES DE ABISTINÊNCIA E DETENÇÃO
No começo, Marcelo aceitou fazer o tratamento e fez um certo esforço, mas em vão. Em toda crise de abstinência, ele fugia da clínica e se aventurava nas noites Recifenses em busca do crack e cocaína. Em uma dessas abstinências, quis dar uma de nero e tentou colocar fogo na rua onde reside o seu pai, danificando o automóvel de seu pai e outros que se encontravam próximos. Achando isso tudo pouco, ainda tentou agredir uma de suas irmãs mais novas, mas felizmente sem sucesso. Logo depois ele foi detido e passou 1 mês preso. Depois desse incidente, o seu pai revoltado deu uma de pilatos e lavou as mãos, não querendo mais saber do filho , que depois da breve estadia na cadeia, retornou para Juazeiro.
FUNDO DO POÇO E SONHO DE SER PASTOR
Atualmente Marcelo sobrevive com ajuda de um tio paterno, que alugou um quarto próximo a sua residência para abriga-lo, pois teme que em sua residência ele cometa algo parecido do que aconteceu em Recife. Marcelo ainda não conseguiu abandonar o vício e sempre é visto de bar em bar, de mesa em mesa se embriagando e consumindo drogas. As vezes ele consegue passar algumas semanas sóbrio, sem utilizar drogas. "Tento parar, mas é muito difícil, quando fico algumas semanas sem consumir drogas, de repente a vontade vem forma feroz, e ai não consigo doma-la, mas um amigo me indicou uma igreja evangélica, fui a um culto e senti uma paz interior, que nunca tive. Irei criar coragem para frequentar mais vezes e tirar esse espírito ruim que dominou meu corpo, e quem sabe um dia eu não vire um pastor?". Revelou Marcelo, demonstrando motivação.
*Marcelo Mattos, é um pseudonimo já que ele não autorizou a divulgação do seu nome.
Texto e foto: Glauber Guerra
Homem é preso por manter sobrinho dependente químico em cárcere privado

Matéria publicada no Blog de Carlos Britto