segunda-feira, 31 de maio de 2010

Parceria na luta contra as drogas no interior baiano

****************************************************** Diana Telma é uma das coordenadoras do projeto

POR: GLAUBER GUERRA

No norte da Bahia, em Juazeiro (500 km de Salvador) um projeto se destaca no combate ao uso de drogas e ressocialização e cura de dependentes químicos. O projeto foi batizado de "Drogas é uma droga" e tem apoio da Prefeitura Municipal e de empresas privadas da região. Atualmente o projeto conta com uma casa de apoio para tratamento e internamento de dependentes químicos, com supervisão e suporte de psicológos, médicos, assistentes sociais e outros profissionais que ajudam de forma voluntária. Uma das coordenadoras e idealizadoras do projeto é a assistente social Diana Telma. "Em 2005, junto com um grupo de amigos tive essa iniciativa e nesses 5 anos tivemos resultados extraordinários em curar a depedência maléfica das drogas", disse.

Diana explica que a maioria das pessoas chega em um estado deplorável, literalmente no fundo do poço e no sub mundo do crime e da marginalidade. "Drogas e o crime andam lado a lado, quando o sujeito não possui mais dinheiro para sustentar seu vício, ele começa a roubar e até matar para conseguir comprar drogas", afirmou.

Cerca de 90% dos dependentes que procuram auxílio no projeto "Droga é uma droga"são viciados em crack. Essa droga vícia de forma rápida e voraz. Por ser relativamente barata e de fácil acesso, dependentes de outras drogas acabam se rendendo ao Crack e a família é a grande sofredora. Como no caso de dona Francisca, uma das mães que tem seu filho internado na casa de apoio. "Trouxe meu filho para a casa de apoio, depois de passar mais de 1 ano sofrendo, pois ele roubava tudo dentro de casa e até me batia querendo dinheiro para comprar esse maldito crack", disse. Em uma de suas alucinações o filho de dona Francisca tentou atear fogo dentro da casa. "Ele disse que era embaixador do capeta na terra e o seu próposito era de roubar, matar e destruir. Encharcou a casa de alcool e tentou atear fogo, mas meu vizinho evangélico conseguiu evitar o pior", relatou. Visivelmente abalada dona Francisca disse que depois que o filho se internou, teve uma extraordinária melhora e ele já participa ativamente do programa esportivo da casa de apoio e espera que em breve ele esteja pronto a retornar ao ambiente familiar totalmente curado.

De acordo com Diana Telma, 86% conseguem se curar da dependência da droga. "O mais difícil é o combate com o crack, que é um tratamento árduo e longo, mas com muita luta e perseverança estamos conseguindo excelentes índices",concluiu .

Foto e texto: Glauber Guerra

Simão Alves um vencedor

*****************************************************Com muito esforço Simão deu a volta por cima

Por: Glauber Guerra

Quem vê Simão Alves pelos corredores da Assembleia Legislativa da Bahia, não imagina os momentos de grande tribulação que eke passou na sua infância. Perdeu o pai com 3 anos de idade e a mãe com 7 anos. Sem nenhum parente para acolhe-lo, Simão começou a perambular pelo centro de Salvador e fazer das ruas sua moradia. Simão começou a trabalhar como engraxate, e as poucos foi conseguindo boa clientela nos arredores da Rua Chile e na Av. Sete de Setembro.

Para vencer o cansaço e a fome, Simão foi induzido por colegas e passou a fazer uso diário de "cola de sapateiro". Essa droga acaba inibindo a fome e o cansaço além de produzir euforia e alucinações no usuário. Com o passar do tempo e cada vez mais viciado, Simão começou a ficar desnutrido e não tinha mais disposição para nada. "Vi que a coisa começou a ficar feia quando deu uma tempestade e uma ventania na Rua Chile e quase parei em cima da placa de exibição do Cine Guarani, que exibia o filme Nem Sansão, nem Dalila de Carlos Manga", exagera. A partir desse momento, Simão resolve abondonar o vício, e procura ajuda de um médico, que ele costumava engraxar os sapatos. Sensibilizado com a história, o médico oferece auxílio dando moradia e o colocando de volta à escola.

Completamente livre da depêndencia das drogas e um aluno exemplar com boas notas, Simão não esperava que o destino fosse novamente traiçoeiro e aos 14 anos de idade, o médico que o ajudou morre precocemente em um desastre de navio, na baia de todos os Santos e mais uma vez Simão fica desamparado. Mas ele não se abateu e foi à luta e conseguiu um emprego como Mensageiro em uma famosa loja masculina da Rua Chile, até que chegou ao posto de vendedor. Conciliando os estudos, com o trabalho conseguiu concluir o segundo grau e também o tão sonhado curso de datilografia. E com sua visível habilidade com a máquina de datilografar, ele passou a ser secretário do proprietário da loja e depois de alguns anos passou a trabalhar no setor de taquigrafia da Câmara de Vereadores e na Assembleia Legislativa, onde mesmo aposentado, continua a trabalhar com a mesma disposição dos tempos de jovem. "Poderia ter voltado para o mundo das drogas, mas eu sabia que tinha que ser forte e construir um futuro e uma família e não viver à margem da sociedade", disse emocionado.

Hoje Simão presta serviços voluntários na Associação de moradores de Cajazeiras, ensinando jovens a confecionarem artesanato, como miniaturas de berimbau em madeira. "Que os mais jovens, não se deixam abater pelas dificuldades da vida e com fé e determinação se consegue tudo e com o trabalho voluntário que desenvolvo, tenho certeza que estou dando minha contribuição para que esses jovens não trilhem o caminho obscuro das drogas", concluiu.

FOTO: Glauber Guerra

terça-feira, 18 de maio de 2010

Do céu ao inferno

* **************************************************Atualmente Marcelo vive no fundo do poço


Um jovem aparentemente bem sucedido, estudante de direito,proprietário de um uma empresa de porte médio de som automotivo, com carro do ano, namorada e casa própria. Pré requisitos de uma pessoa com um futuro brilhante e bem sucedido a sua frente. Mas não foi isso que aconteceu com o jovem de 23 anos Marcelo Mattos*. Ele sempre gostou da noite e de frequentar baladas e barzinhos de Juazeiro BA e Petrolina PE (cidade vizinha).Altamente sociável era figurinha carimbada nos principais eventos daquela região e sempre acompanhado do seu Whisky 12 anos misturado com enérgetico. Até ai, tudo bem, Marcelo sempre cumpria suas obrigações como pequeno empresário e como estudante, até que certo dia em uma dessas "baladas", por incentivo de um amigo, que o convidou para ter uma noite de luxúria com um grupo de mulheres que faziam o uso de cocaína, foi incentivado à experimentar, para se "enturmar" e não parecer "careta" e a conquista ficar mais fácil. Foi paixão à primeira vista, não com as garotas e sim com o famoso pó branco, conhecido como cocaína.

No princípio eram pequenas doses nos finais de semana, e aos poucos aumentando para sentir a sensação de eufória que a droga proporciona. Em pouco já não andava mais na empresa com frequência, na faculdade poucas vezes era visto, a namorada que já não aguentava mais as sessões de agressividade e até de espancamento do jovem, o abandonou. Marcelo que tinha um destino brilhante a sua frente, estava entrando em largos passos para o sub-mundo das drogas. Em pouco tempo ele se tornou o verdadeiro "rei da noite", chegando a passar de 3 à 4 dias consecutivos fazendo o uso da droga e praticamente sem dormir, já que a mesma inibe o sono. "Quando comecei a entrar nessa fase de sair para beber e "cheirar", comecei a ficar agressivo, chegando a bater em minha namorada, fazia arruaça no meio da rua, sempre estava envolvido em confusão", comentou .

Alguns meses depois de estar completamente dominado pela droga, Marcelo viu sua empresa ir a bancarrota, já que pouco ia a empresa e só aparecia para fazer retiradas volumosas de dinheiro, fechando em pouco tempo, o que ele tinha conseguido com muita luta e determinação.

Marcelo para sustentar o vício das noites regadas a Whisky e Cocaína, começou a usar suas economias que ele tinha guardado na poupança e em contas de investimentos. Chegou até cometer a extravagância de passar 7 dias em Bogotá, para experimentar a droga fabricada de maneira "pura", sem misturas como as nacionais. "Cometi essa loucura de ir para a Colômbia e lá gastei uma boa grana para experimentar a cocaína pura e cair na promiscuidade e devassidão nas noites intermináveis de Bogotá". Lamentou-se.
Depois da empresa fechada e os recursos ficando escassos, começou a se desfazer de alguns bens pessoais, para continuar alimentando o vício da droga. Foi ai que ele começou a entrar no fundo do poço, vendendo primeiramente sua moto 250 cilindradas, logo depois foi a vez do seu carro adquirido poucos meses antes, e em seguida móveis e eletrodomésticos, restando apenas seu colchão, guarda roupas e um pote para armazenar água. "Vendi tudo para sustentar meu vício, nunca comprei droga fiado, para não ficar devendo a traficante e não ser morto. Nem água gelada tenho para beber", disse.

Sem dinheiro para andar nas badaladas festas , o "rei da noite" perde a majestade e se torna um mero plebeu, mergulhando de vez no sub-mundo da marginalidade, praticando pequenos furtos e delitos para comprar a cocaína e para piorar, começa a fazer o uso de outros tipos de droga como o crack. "Já que eu não tinha mais dinheiro, comecei a praticar pequenos furtos, como som de carro, notebooks, celulares e utilizar drogas mais baratas e de fácil acesso como o crack".
Marcelo perdeu todos os amigos, que se afastaram logo depois que ele não tinha mais dinheiro para suas intermináveis farras.

FAMÍLIA , PERCA DA MÃE E REECONTRO COM O PAI

Marcelo perdeu precocemente a mãe com 13 anos, depois disso foi morar com o pai em Recife -PE. Como não teve teve um bom relacionamento com sua madrasta, com 15 anos retornou à Juazeiro para morar com sua vó materna, que veio a falecer vitíma de uma pneumonia, quando Marcelo completou 16 anos. Resolveu morar sozinho em Juazeiro e comecou a trabalhar, como vendedor em uma loja de som automotivo, e em pouco tempo se destacou na empresa, conseguindo se tornar sub-gerente e até que conseguiu juntar um dinheiro para montar seu próprio negócio. Marcelo perdeu o contato com seu pai, só se falavam em raras ocasiões.
Depois de anos praticamente sem contato, o pai de Marcelo tomou conhecimento do estado lastimável em que se encontrava o filho e o levou para Recife. "Logo que o pai de Marcelo tomou conhecimento, levou o filho para procurar tratamento médico para que Marcelo começasse a largar o vício das drogas". Confidenciou um amigo da família.

TRATAMENTO CONTRA A DEPÊNDENCIA , CRISES DE ABISTINÊNCIA E DETENÇÃO

No começo, Marcelo aceitou fazer o tratamento e fez um certo esforço, mas em vão. Em toda crise de abstinência, ele fugia da clínica e se aventurava nas noites Recifenses em busca do crack e cocaína. Em uma dessas abstinências, quis dar uma de nero e tentou colocar fogo na rua onde reside o seu pai, danificando o automóvel de seu pai e outros que se encontravam próximos. Achando isso tudo pouco, ainda tentou agredir uma de suas irmãs mais novas, mas felizmente sem sucesso. Logo depois ele foi detido e passou 1 mês preso. Depois desse incidente, o seu pai revoltado deu uma de pilatos e lavou as mãos, não querendo mais saber do filho , que depois da breve estadia na cadeia, retornou para Juazeiro.

FUNDO DO POÇO E SONHO DE SER PASTOR

Atualmente Marcelo sobrevive com ajuda de um tio paterno, que alugou um quarto próximo a sua residência para abriga-lo, pois teme que em sua residência ele cometa algo parecido do que aconteceu em Recife. Marcelo ainda não conseguiu abandonar o vício e sempre é visto de bar em bar, de mesa em mesa se embriagando e consumindo drogas. As vezes ele consegue passar algumas semanas sóbrio, sem utilizar drogas. "Tento parar, mas é muito difícil, quando fico algumas semanas sem consumir drogas, de repente a vontade vem forma feroz, e ai não consigo doma-la, mas um amigo me indicou uma igreja evangélica, fui a um culto e senti uma paz interior, que nunca tive. Irei criar coragem para frequentar mais vezes e tirar esse espírito ruim que dominou meu corpo, e quem sabe um dia eu não vire um pastor?". Revelou Marcelo, demonstrando motivação.



*Marcelo Mattos, é um pseudonimo já que ele não autorizou a divulgação do seu nome.
Texto e foto: Glauber Guerra

Homem é preso por manter sobrinho dependente químico em cárcere privado


Francisco Conceição Santiago foi preso em Juazeiro, região norte da Bahia, por uma viatura do 3ºBPMJ da Polícia Militar em flagrante, quando acorrentou o seu sobrinho de 16 anos para que o mesmo não saísse as ruas para fazer o uso de maconha e crack. "Fiz isso, porque ele estava agredindo fisicamente a mãe dele e subtraindo objetos de valor da residência e até parte do modesto salário da auxiliar de serviços gerais para comprar as drogas, o único jeito foi acorrenta-lo". Comentou Francisco. A Polícia Militar, chegou ao local por denúncia dos vizinhos, que ouviram gritos do menor, que queria ser libertado a todo custo. O menor garantiu que vai tentar se internar em uma clínica para tentar curar o vício. "Tento de toda maneira, parar de usar o crack e a maconha, mas a vontade de usar, é imensa. Vou entrar em uma clínica, pois sei que a droga está me matando e antes que eu vá para a cidade de "pé junto", quero sair dessa e depois voltar aos estudos e virar um "doutor". Disse o menor. O Delegado Charles Leão, titular da 17º Corpin, disse que o do menor, o sr. Francisco vai ficar à disposição da autoridade competente.


Matéria publicada no Blog de Carlos Britto


Foto e texto: Glauber Guerra

Responsabilidade social

A partir de hoje, estarei postando reportagens e notícias mostrando à fundo o submundo das drogas e como elas degradam o próprio dependente, as pessoas que o cercam e a sociedade em geral. Depoimentos de pessoas que passaram por momentos de tribulação, tormento e grande sofrimento mas deram à volta por cima. Também iremos relatar sobre pessoas que não conseguiram sair do ostracismo e se tornaram um tumor para à sociedade.